Coletivos de mulheres em São Paulo: levantamento e cartografia de ações artístico-culturais
Bruna Thomas, 2025
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: O presente trabalho pretende contribuir para discussões da historiografia da arte considerando as perspectivas feministas decoloniais e interseccionais, a partir da atuação de Coletivos Artístico-Culturais de Mulheres na cidade de São Paulo. O tema será abordado pensando no significado do termo “coletivos” e o que ele significa no campo da historiografia da arte, trazendo referências dessas atuações a partir de coletivos de mulheres. O levantamento dos coletivos foi realizado através de redes sociais, catálogos de exposições, sites de divulgação de arte e trabalhos acadêmicos. Neste trabalho serão trazidos 33 coletivos artísticos de mulheres situados na cidade de São Paulo e que desenvolvem sua arte em linguagens artísticas como poesia, bordado, hip hop, graffiti, moda entre outros. A partir do levantamento foi elaborada uma cartografia feminista, trazendo as ações realizadas pelos coletivos de mulheres em sua relação com o território, na qual está colocado em foco a multiplicidade e a relevância que as práticas artísticas movimentadas por esses coletivos trazem para o campo da arte, e deixando em evidência os espaços e as atuações desses coletivos.
Palavras-chave: Mulheres na arte; Feminismo
Pelo rio abaixo: desenho digital, educativo e decolonial sobre a produção de cuias no baixo Amazonas
Isabela Dias de Oliveira, 2025
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: O projeto “Pelo Rio Abaixo” consiste em um material didático sobre a produção e a circulação das cuias produzidas no Baixo Amazonas, com ênfase na documentação realizada durante a Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira no século XVIII. Consideradas mais do que utensílios, as cuias são analisadas como objetos com valor simbólico e identitário, inseridos em dinâmicas sociais e culturais complexas. Os textos escritos durante a expedição, em conjunto ao material iconográfico produzido por desenhistas, oferecem informações valiosas sobre os modos de produção, os motivos decorativos e os circuitos de circulação dessas peças. O projeto também destaca o papel do desenho como ferramenta de investigação que pode facilitar o contato da população geral com os dois museus portugueses nos quais os objetos recolhidos por Alexandre Rodrigues Ferreira estão conservados — o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e a Academia das Ciências de Lisboa. No contexto atual, a produção de cuias persiste e é realizada por mulheres ribeirinhas nas cidades de Santarém e Monte Alegre. Assim, é igualmente relevante ressignificar e difundir o repertório iconográfico desses objetos, que também pode ser utilizado como recurso pedagógico para o aprendizado de temáticas como: cartografia, fauna e flora local, técnicas de produção de materiais, entre outros. Com isso, a pesquisa propõe uma leitura multidisciplinar que articula história, arte, antropologia e design, buscando compreender as cuias em sua complexidade material e simbólica.
Palavras-chave: Cuias
A Costura do Manto e sua imagem: A cosmogonia indígena entre origens, tempos e territórios em vídeo-performances e fotografias de Célia Tupinambá
Helena Gualandi Verri, 2024
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: Este trabalho analisará a maneira como sujeitos ameríndios da comunidade dos Tupinambá traduzem os elementos que compõem a cosmogonia indígena através de dispositivos visuais, como fotografias e vídeos. Sob o exemplo da artista Célia Tupinambá, da Aldeia Serra do Padeiro em Tupinambá de Olivença no sul do Estado da Bahia, reconhecida pela reivindicação da devolução de mantos plumários espoliados pelas potências internacionais na era colonial, investiga-se a capacidade de transmutações de tempos, origens e territórios que a imagem reflete como mecanismo de atravessamento geracional. Por meio do estudo do surgimento da imagem como suporte de uma representação e seu conceito como vestígio histórico dentro da antropologia visual, a pesquisa explora a inserção deste meio em uma produção artística contemporânea ameríndia. Na pesquisa, foram mobilizadas obras de historiadores e filósofos europeus a fim de embasar os conceitos de imagem e visão que vinculam espaço, tempo e memória às representações visuais ocidentais. Assim como também escritores e curadores indígenas contemporâneos, como Idjahure Kadiwéu, Rita Pataxó, Sandra Benites, Daniel Munduruku e Naine Terena que fundamentam a construção de uma etnomídia capaz de reiterar a performance e o agenciamento ritualístico como elementos intrínsecos à linguagem imagética. Paralelamente, consultou-se o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro como forma de compreender de que maneira este mecanismo visual, defendido pelos teóricos europeus e posteriormente reforçado pelos pensadores ameríndios, potencializaria a costura visceral entre seres cosmológicos e incorporaria o saber multinaturalista e perspectivista nos indivíduos que a observam. Foram estes levantamentos de conceitos que reafirmaram e justificaram o trabalho de Célia Tupinambá como travessias espaço-temporais que incentivam a consolidação domovimento de resistência desses sujeitos continuamente marginalizados, forçosamente retirados de suas terras e, consequentemente, espoliados de suas trajetórias presentes, passadas e futuras. Assim, são propostas três análises de diferentes obras da artista que revelam a inserção de Célia neste debate: (1) Nós somos pássaros que andam (2023, IMS); (2) Quando o Manto fala e o que o Manto diz (2023, MASP); (3) Pena por Pena (2020 -2021, MAM RJ).
Palavras-chave: Imagem (arte); Cosmogonia; Tupinambá
Yuanming Yuan, um palácio de verão na China Global: uma proposta expositiva
Lilian Tiemy Hirata, 2024
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Imaginários Revestidos de Plumas: a circulação global de plumária e a representação da América a partir da "Procissão de Stuttgart"
Gabriella Martins de Oliveira, 2024
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Arte Namban: Cultura Material Móvel e Conexões Globais do Japão na Modernidade Nascente
Ricardo Hiroyuki Achidate Makino, 2024
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: Este Trabalho Final de Graduação visa relacionar a formação acadêmica pessoal à pesquisa acerca do levantamento bibliográfico e iconográfico acerca do Arte Namban (Namban bijutsu, 南蛮美術), fenômeno artístico do século XVI e XVII, originário do encontro entre europeus – principalmente portugueses, espanhóis e italianos – e japoneses na Nascente Idade Moderna. Condição excêntrica que proporcionou desdobramentos complexos entre as esferas culturais, políticas, culturais e artísticas, seja pela atividade religiosa no continente asiático, seja por conta da hibridização artística de alcance global, proporcionando novas perspectivas sobre as Histórias Conectadas e as geografias artísticas desenvolvidas na História da Arte Global. A pesquisa não teve financiamento por instituições e, portanto, ainda não foi possível dedicação exclusiva para o estudo da temática, mas o contato prolongado com a temática de pesquisa capacitou o entendimento global acerca do tema, não esgotando as possibilidades de continuidade e aprofundamento, uma vez que o estudo demonstrou ser um campo fartas revisões e descobertas no âmbito da Arquitetura, Arte e Design. O trabalho se apoia no registro e na cultura material fundamentalmente relacionado às Ordens religiosas católicas e o desempenho ultramarino das nações europeias na exportação de objetos. Neste cenário, são indissociáveis das motivações religiosas no seio da contra-reforma que se estendiam nas pioneiras rotas portuguesas e hispânicas interligando o Atlântico e o Pacífico. A cultura material resultante desse encontro entre civilizações se notabilizou entre bens materiais religiosos e seculares, que misturavam tipologias mobiliárias, iconografias, técnicas ocidentais e japonesas em um movimento de fertilização mútua entre culturas, técnicas e imaginários.
Palavras-chave: arte namban; jesuítas; Japão; cultura material; história da arte global
Butantã, Peabiru: Reflexões sobre a presença indígena no ensino de Arquitetura e Urbanismo
Bárbara Carneiro Servidone, 2024
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Transculturação e produção de espaços no território brasileiro: o bairro da Liberdade em São Paulo
Adriana Yumi Higashioka, 2023
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: “Transculturação” é um neologismo criado por Fernando Ortiz, na década de 1940, para explicar o processo de colonização cubana, em que as construções cultural, artística e espacial não foram decorrentes apenas de processos de conquista, imposição e dominação, nem somente de uma simples união ou sobreposição de costumes, mas sim conformadoras de uma nova realidade distinta e complexa. Este processo pode ser expandido para todo o território latino-americano, fruto também da mescla, do confronto e da coexistência de diversos povos, histórias e estruturas sociais, econômicas, culturais e espaciais ao longo do tempo. Assim, o objetivo geral desta pesquisa é analisar os processos de transculturação na produção de espaços no território brasileiro, partindo do entendimento conceitual da transculturação, passando por sua presença na América Latina até o caso específico do Bairro da Liberdade na cidade de São Paulo, buscando compreender as histórias, conflitos e processos transculturais que se estabelecem na região. Para tal, foi realizada revisão bibliográfica com enfoque em autores latino-americanos, somados às contribuições de perspectivas multidisciplinares, como antropologia, urbanismo, história e memória, historiografia e arqueologia urbana. Espera-se que a pesquisa contribua para a compreensão de como fenômenos transculturais afetam a produção de espaços no Brasil e para destacar a importância de abordagens mais inclusivas, sensíveis à valorização da diversidade cultural e respeito às identidades e histórias locais.
Palavras-chave: transculturação, produção de espaços, bairro da liberdade, historiografia da cidade;
Linhas de nanquim: O desenvolvimento e a difusão da arte mangá, do Japão para a tela de uma artista paulistana
Carolina Akemi Koketu, 2023
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: A arte mangá, ou seja, os quadrinhos japoneses tradicionalmente caracterizados por linhas pretas quase sempre sobre um fundo branco, move uma indústria de proporções monumentais nos dias atuais. Animações, jogos e produtos inspirados nas histórias do mangá estão presentes na cultura popular mundial. A consolidação do uso da palavra mangá (漫画, tradução literal: desenhos livres) data do século XIX com o trabalho de Katsushika Hokusai (c.1760-1849), no entanto, autores do tema e artistas de mangá (conhecidos como mangakás) apontam que obras de séculos anteriores podem ser consideradas antecessoras desta forma de arte. Mais do que isso, o mangá em sua estrutura contemporânea possui diversas raízes e foi ressignificado com o contato de obras de artistas estrangeiros e de eventos históricos, destacando a Segunda Guerra Mundial, que foi decisiva para a alteração da imagem do Japão para o resto do mundo e, como consequência, para a difusão internacional do mangá. Esta arte se tornou amplamente popular no Brasil a partir da década de 1950, levando ao crescente interesse pela cultura japonesa e ao surgimento de mangás criados por artistas brasileiros. Este trabalho tem por objetivo oferecer um primeiro contato com o mangá, sua história e sua origem, buscando investigar seu desenvolvimento e conhecer parte das obras que pertencem a este gênero de arte. Além de seguir estudos de importantes autores do campo, este trabalho final de graduação conta com as impressões e experiências da autora como uma mangaká paulistana desenvolvendo seus próprios quadrinhos.
Palavras-chave: história da arte, japão, mangá
Aproximação às Representações Negras na História da Arte Brasileira
Victor Henrique Fidelis, 2022
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: Aproximação às representações negras na História da Arte Brasileira é um trabalho de conclusão de graduação que investiga como parte da produção de arte nacional atuou na construção de imagem do afro-brasileiro, analisando como o histórico de simbologias corroborou ou não com questões sociopolíticas e culturais ao longo dos séculos XIX, XX e XXI. Para tal objetivo, o estudo entra antes nas elaborações teóricas da chamada arte afro-brasileira, captando como questões raciais de exclusão e generalização refletiram as contradições que envolvem sua conceituação, e como adequações e adições foram necessárias com os avanços da discussão ao passar do tempo. Dentro de um universo com questões e pesquisas variadas, o autor e artista plástico elenca assuntos mais relevantes à pesquisa estética de sua própria produção para se aproximar e se localizar dentro de tal panorama, traçando pontes comparativas com novos e já consolidados nomes que representaram a população negra brasileira, iluminando as possíveis divergências entre o olhar do outro e a autoimagem na formação de noções raciais coletivas e individuais.
Palavras-chave: arte, pintura, história da arte brasileira, arte popular, arte negra, afro-brasileiros, arte decolonial.
O Aldeamento de Carapicuíba e a paisagem cultural em São Paulo: uma investigação histórica e artística
Luisa Gomes da Mota de Souza, 2022
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: A Aldeia de Carapicuíba é o único conjunto arquitetônico remanescente dos aldeamentos paulistas que permaneceu com sua morfologia conservada até os dias atuais, sendo representante da arquitetura paulista do período de colonização, além de manter manifestações culturais que perduraram ao longo dos séculos. Através da escolha do estudo desta Aldeia, o presente trabalho final de graduação busca ampliar o espectro sobre a produção arquitetônica e de arte sacra na região de São Paulo entre os séculos XVI e XVIII. É feita uma aproximação ao estudo da complexa história da região paulista deste período, assim como são levantadas questões a respeito do que se tem como dado a respeito da história deste aldeamento em específico. Com a interdisciplinaridade com os campos de linguística e arqueologia, são utilizadas fontes que abordam a região no momento do contato com os europeus, com enfoque nos povos indígenas que aqui habitavam. Sobre o estudo da história da Aldeia de Carapicuíba, foi realizado levantamento bibliográfico de publicações e trabalhos consolidados, complementados por pesquisas mais recentes e fontes primárias (como documentos oficiais da época). A respeito da conservação do conjunto edificado, foi feita análise dos processos de tombamentos a níveis federal e estadual, complementados por levantamento de intervenções na Aldeia ao longo dos anos. Também, através de visitas presenciais em Carapicuíba, observou-se o estado de manutenção mais atual do antigo aldeamento. Também foi feito estudo a respeito das manifestações culturais presentes na Aldeia, com leitura de bibliografia específica e registros recentes de eventos ali realizados.
Palavras-chave: Arquitetura colonial; Aldeia de Carapicuiba (sp); História da arquitetura; Decolonialidade
Praça Mani: Paisagens Tapajônicas na Longa Duração de Santarém-Pará
Luis Felipe Clemente Nunes, 2022
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: Este trabalho objetiva uma imersão socioespacial e histórica na longa duração das presenças e relações antrópicas na área histórico-cultural do Baixo Tapajós, no Estado do Pará, mais especificamente no território do atual município de Santarém. Adicionalmente, em vista de recentes problemáticas, concentra-se na Praça Rodrigues dos Santos, em Santarém, investigando potenciais norteadores de propostas de requalificação do local, também apresentadas. Entende-se a importância arqueológica, histórica, econômica, sociocultural e ambiental dessas localidades, que comportam múltiplas relações espaço-temporais e cosmológicas superpostas. Relações estas indissociáveis das milenares urbes tapajônicas, atualmente testemunhadas no Sítio Aldeia; e das lógicas e vivências das populações tradicionais amazônicas. A pesquisa enfoca ampliados trânsitos pan-amazônicos; reconfigurações e apagamentos coloniais; novas dinâmicas de mercado; e resiliências cotidianas. O trabalho se apoia em fontes cartográficas, bibliografias e georreferenciadas, em arqueologia, antropologia, políticas públicas e história da urbanização, além de visitas de campo e entrevistas semiestruturadas. A aproximação à Praça Rodrigues dos Santos pretende contribuir para soluções que permitam a apropriação pública e democrática do espaço urbano; o turismo histórico e comunitário; a preservação arqueológica; a geração de renda; e o reconhecimento de demandas e memórias indígenas e tradicionais. Em suma, um projeto como proposta para participação comunitária e debate crítico horizontal. O tema de trabalho surgiu de vivências anteriores, durante Iniciação Científica Fapesp, interdisciplinar, sobre espacialidade Munduruku e contextos geopolíticos do Vale do Tapajós, em aproximações arqueológicas e antropológicas. Adicionalmente, apoia-se emexperiências de participação no grupo de estudos Abya-Yala FAUUSP; e suporte de pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi, da Universidade Federal do Oeste do Pará e do Instituto Mamirauá, através do Projeto Fapesp Barroco-Açu. Portanto, busca-se contribuir para o adequado estudo destes territórios, sob riscos e com potenciais de ordem biosférica.
Palavras-chave: arqueologia, paisagem, história, longa duração, Santarém
Obras Dispersas: Mapeando objetos provenientes dos colégios, fazendas e aldeamentos jesuíticos do território do Estado de São Paulo na região metropolitana
Bianca Amaral Agostinelli, 2022
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: Este trabalho pretendeu realizar um primeiro mapeamento de objetos artísticos provenientes de antigos colégios, fazendas e aldeamentos jesuítas, que atualmente não se encontram em seu local de origem. A expulsão dos jesuítas do Brasil e posteriormente, com a proclamação da República, o desprezo pelo passado colonial, geraram uma grande destruição e dispersão dos objetos e obras que foram produzidas ou pertenceram aos colégios e missões da Companhia de Jesus em São Paulo. Muitos destes objetos podem ser encontrados hoje em igrejas de outras ordens e em museus. Na região de São Paulo ainda não existe um levantamento de onde estes objetos se encontram, o que torna difícil a construção de uma visão geral, necessária ao estudo das missões jesuíticas e da história da arte da época colonial no Brasil. Deste modo, pretendeu-se realizar um levantamento das peças que já foram identificadas como provenientes de colégios, fazendas e/ou antigos aldeamentos jesuítas em acervos de museus e igrejas, procurando mapear seu local de origem e atual localização.
Palavras-chave: objetos; biografia dos objetos; missões jesuíticas; período colonial; São Paulo.
Mapeando os Jesuítas no Brasil (1549-1759): uma arqueologia de redes
Vinícius Varussa Seneda, 2021
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: Esse trabalho se propõe a produzir um banco de dados SQL a partir do livro “Artes e Ofícios dos Jesuítas no Brasil, 1549-1760” do historiador português Serafim Leite.
Palavras-chave: Banco de dados, Web Design, Jesuítas, Redes Globais
Orla oleira: um museu Marajoara na orla de Icoaraci no Pará
Yuri Barão Sato, 2021
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: Este trabalho busca, por meio da pesquisa arqueológica realizada na ilha do Marajó, promover a Cultura Marajoara, bem como estabelecer um diálogo com as interpretações de caráter popular, as quais os mestres oleiros do distrito de Icoaraci, em Belém, desenvolveram ao ressignificar a iconografia que remete a esta produção indígena pré-colonial e que está bastante presente no imaginário coletivo paraense. Esta valorização se estabelece por meio de um projeto de uma casa de cultura na orla de Icoaraci, importante local para a comercialização de cerâmica de estilo marajoara, buscando conciliar a produção arqueológica/acadêmica com a produção oleira local. Ademais, busca-se criar um projeto que dialogue com a população local, sobretudo os artesãos, e que permita a sua participação na construção do plano museológico.
Palavras-chave: Arqueologia, Projeto, Casa de Cultura, Cerâmica, Marajó, Icoaraci, Belém.
Caminhos urbanos do Peabiru: uma primeira camada da memória antrópica na cidade de São Paulo
Beatriz Ferreira Sacagni, 2021
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: O desenvolvimento acelerado, a industrialização e a ação de processos de miscigenação da população paulistana impulsionaram na cidade de São Paulo um acentuado apagamento da história e das memórias mais antigas, tendo como principais responsáveis, os textos que retratam o território unicamente a partir da presença europeia, sendo a história indígena ainda muito pouco contemplada pelos estudos da urbanização. Partindo dessa visão, a narrativa do Peabiru (na língua tupi, “pe” – caminho; “abiru” - gramado amassado), caminhos indígenas que atravessam a porção sul do continente americano, conectando o Oceano Pacífico ao Oceano Atlântico por terra, foi muito afetada por esse apagamento. Esse trabalho pretende, a partir da investigação dos caminhos “urbanos” do Peabiru na capital paulista, através da reunião de fontes bibliográficas e iconográficas diversas, colaborar com as pesquisas mais atualizadas sobre o território de São Paulo e sua paisagem cultural, contribuindo para um melhor conhecimento de suas camadas históricas mais profundas. Pretendemos, assim, levantar e entrecruzar resultados de trabalhos realizados nos campos da história da cidade, geografia e arqueologia urbanas, antropologia e cultura material, sobre o Peabiru e temas correlatos, de forma a reunir elementos que colaborem com a reconstituição dos processos de permanências e rupturas experimentados pela cidade de São Paulo em um período de longa duração, bem como, embasar projetos propositivos de demarcação espacial desses caminhos através de espaços livres públicos, evocando a memória e revelando a presença de elementos da cultura dos povos originários.
Palavras-chave: Peabiru, caminhos indígenas, arqueologia urbana, paisagem cultural, espaços livres públicos.
Cores da Amazônia: Materiais e Técnicas Artísticas Ameríndias no Tratado do jesuíta João Daniel (séc. XVIII)
Larissa Antonellini Grandino, 2021
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: O trabalho pretende abordar os pigmentos usados nos vários campos artísticos no período colonial brasileiro, por meio do Tratado Último - Das tintas mais especiais do Rio Amazonas, escrito pelo Jesuíta português João Daniel (1722-1776). Esse ensaio pertence à obra Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas, a qual trata das riquezas existentes no rio e as possibilidades de aproveitamento delas a partir dos dezesseis anos de vivência do padre na província do Grão-Pará e Maranhão (1741- 1757). Foi escrito entre os dezoito anos em que Daniel permaneceu encarcerado em Lisboa (1759-1776), depois da expulsão da Companhia de Jesus dos territórios portugueses em 1759. O Tesouro Descoberto é uma das mais importantes fontes para conhecer a Amazônia do século XVIII. O tema da produção e do emprego das tintas tem um espaço consolidado na historiografia da América Hispânica do período colonial, tanto na Nova Espanha (Jeremy Baskes), quanto no chamado Vice-Reinado do Peru (Gabriela Siracusano), proporcionando pesquisas de grande importância para o conhecimento do uso de técnicas tradicionais das culturas americanas, como a fabricação e o uso de materiais corantes de procedência vegetal, animal e mineral nas colônias. A análise das tintas ameríndias envolve questões acerca das trocas culturais, e da circulação de saberes em escala global (Gauvin Alexander Bailey), além do valor e do significado de cada cor em diferentes culturas. Porém, na América Portuguesa, esse tema não foi suficientemente abordado. Dessa forma, o projeto tem como principal objetivo identificar as matérias-primas citadas por Daniel, deixando assim uma contribuição para a história da arte, da técnica e dos materiais, que poderá ser aprofundada em etapas futuras de pesquisa
Palavras-chave: Tintas, Amazônia, Cores, Técnicas Ameríndias.
Ruínas do Abarebebê: um olhar etnobotânico para a decolonização da paisagem
Monica Bertoldi André, 2019
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: A vegetação é um elemento essencial do projeto da paisagem, mas que nem sempre é pensada de forma criteriosa e holística, considerando todas as dimensões que a constituem – biológica, ecológica, estética, cênica e cultural. Nesse sentido, o entendimento da vegetação enquanto pertencente ao universo da cultura é marginalizado pela prática paisagística, o que acaba por criar frequentemente paisagens deslocadas em relação ao contexto cultural e ambiental do lugar onde se materializará o projeto. Entendendo, então, a paisagem enquanto um fenômeno culturalmente construído e como elemento estruturador de memórias e identidades, o critério cultural para escolha das espécies de um projeto surge como parte essencial do processo projetual. Como ferramenta para esta seleção, temos a Etnobotânica, ciência que se debruça sobre a relação entre as plantas e as diversas culturas humanas, compreendendo seus significados e usos de acordo com os diferentes contextos ambientais, materiais e cosmológicos de cada povo. Enquanto espaço que permite a transmissão dos conhecimentos etnobotânicos e a experimentação do uso do critério cultural para a seleção de espécies para o projeto da paisagem, temos o jardim etnobotânico, um equipamento dedicado a desvelar a profunda relação entre plantas e o ser humano. Levando em consideração o acima exposto, foi escolhido o sítio das Ruínas do Abarebebê, em Peruíbe/SP, como local privilegiado para a implementação de um jardim etnobotânico, uma vez que as ruínas nos remetem à construção cultural dessa paisagem litorânea. Além disso, essa região do litoral paulista se apresenta como uma área de fortes presenças das culturas tradicionais, cuja relação com o meio é intensa. Por fim, a existência de um estudo interdisciplinar coordenado pelo MAE-USP, durante a década de 1990, que deu origem ao projeto do Museu da Paisagem, coordenado peloarquiteto Paulo Bastos, sedimentou a escolha do local de projeto. Foi, então, elaborada a proposta do Jardim Etnobotânico do Abarebebê, que buscou desvelar a profunda relação estabelecida entre as culturas caiçara e guarani e as plantas, demonstrando a possibilidade de outras formas de relação com o meio e, principalmente, com a vegetação, a partir de uma abordagem decolonial
Palavras-chave: etnobotânica, jardim etnobotânico, decolonial, arquitetura paisagística.
Arte Pré-Colombiana Hoje. Cerâmica Marajoara no MASP.
Ana Lívia Ruegger Saldanha, 2019
Orientação: Renata Maria de Almeida Martins
Resumo: Este trabalho final de graduação é um estudo de caso desenvolvido a partir da exposição de quatro urnas funerárias marajoaras, atualmente na pinacoteca do MASP. Os objetos pertencem à coleção de arte pré-colombiana formada por Oscar e Edith Landmann, atualmente em regime de comodato no MASP e chamada, então, Coleção MASP Landmann. A proposta surgiu da vontade de me aproximar do tema dos museus e exposições, também como uma forma de desenvolver um trabalho multidisciplinar que englobaria diversos conhecimentos fragmentados ao longo do curso de arquitetura – desde a pesquisa em história da arte a respeito dos objetos escolhidos, até o (não realizado) projeto de uma exposição, além de abordar a complexa questão do lugar desses objetos, que fogem à definição hegemônica de arte.
Palavras-chave: Arte pré-colombiana; Exposições; Cerâmica Marajoara
Um projeto expositivo para a coleção Fulvia e Adolpho Leirner
Pedro Vitor Iwo De La Costa, 2022
Orientação: Luciano Migliaccio
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